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Aos Homens Coptas mortos na Líbia (In Memoria)

by - outubro 30, 2015


Foto reprodução: Internet

Em memória aos 21 cristãos coptas egípcios mortos pelo Estado Islâmico no dia 15/02/2015 em uma praia na Líbia.

O QUE UMA ROSA LEVA DA PRIMAVERA




Naquela manhã quente de Fevereiro, sob o sol escaldante, crianças corriam sobre a areia trazida pelo o vento do deserto, exatamente ao meio dia o sino oxidado pelo tempo no alto da capela em ruínas tocava o “dindom”. O som estarrecedor ecoava no infinito mar de areia.  Sem entender, misteriosamente as crianças sumiram, o silêncio pairou no ar. Com o coração pulsando acelerado, fui surpreendido por anônimos de olhares secretos e tenebrosos me levando ao encontro de 20 homens Sonhadores.

Faz tempo que estou longe de casa, é quase utopia meu regresso, minha esperança vermelha caminha sob insultos dos anônimos de mentes medíocres e insanas.
Tentando me encontrar, desmaio sobre o chão flutuante, imergido no rio de minhas lágrimas. Fragilizado ouso costurar o coração do herói que há em mim, impossível é um cristal quebrado. Busco a cura para dor dessa gaivota com asas quebradas, o antídoto, está no cerne daquilo que realmente eu sou. Meu jardim esta ficando cinza, quebraram as rosas.

             Sigo caminhado nessa praia, seguindo as pegadas na areia dos Sonhadores que ao menos deixarão rastros no tempo, não sei se canto ou choro. A brisa que vem do mar tem cheiro de sangue e no barulho das ondas ouço som de morte. Há se essas ondas viessem tão fortes e levassem esses olhares secretos e negros e sucumbisse no mais profundo do oceano.
E agora o que me resta é assistir o “Show da vida” de uma cultura de identidade sangrenta e macabra de ideias banais, gargantas estão sendo abertas, cabeças são erguidas como troféu, as rosas dessa primavera efêmera se desfaz em sangue, e os sussurros dos Sonhadores se rompem pouco a pouco com o silêncio.
Antes que finde o dia e que mais uma rosa murche, a primavera desse jardim ecoara ao mundo, por mais Sol, Sol de Justiça ao Povo da Cruz. Não há direito aplausível de levarem as rosas e deixarem a primavera sem flores. Deixe-nos viver.



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