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Empresário de MT larga tudo, conhece a América do Sul de carona e decide seguir para o Alasca de bicicleta

by - janeiro 28, 2019


Um corretor de imóveis de Mato Grosso segue para o Alasca de bicicleta. Gabriel Dias, de 25 anos, conhecido como 'Gabriel Viajou' nas redes sociais, saiu da casa dos pais, em Brasnorte, a 580 km de Cuiabá, no mês passado, parou em Cuiabá e segue nesta sexta-feira (16) rumo ao estado americano.

Serão, em média, 150 dias de viagem até o Alasca, cruzando 11 países.

“Sempre tive vontade de viajar. Alasca nunca foi o meu destino principal, mas a ideia é conhecer tudo que tem pelo caminho, pois é o lugar mais longe que podemos ir em terra, sentido a América do Norte”, explicou.

O empresário deixou a imobiliária que administrava, em Cuiabá, em agosto de 2017, passou um ano viajando de carona e conheceu os 13 países da América do Sul.

“À época tinha dinheiro, mas não tinha tempo. Então, chegou um momento em que não estava mais feliz com o trabalho, terminei com a namorada, meu financeiro também estava ruim, mas percebi que, naquele momento, eu tinha tempo. Deixei uma pessoa cuidando da empresa, que agora está inativa, e saí para viajar”, contou.

Foto tirada durante passagem pela Colômbia — Foto: Gabriel Dias/ Arquivo pessoal

O jovem afirmou que, dois dias depois de anunciar o afastamento na empresa da qual era proprietário, levou o carro e os pertences que ele tinha até Brasnorte, onde os pais dele moram e, com R$ 3 mil e uma mochila contendo alguns alimentos e roupas, pegou a primeira carona na MT-170.

“Meus pais ficaram preocupados, ninguém acreditou que eu seria capaz de fazer isso, mas fiz e me sinto realizado. Utilizei um GPS offline no celular para conseguir traçar um caminho e irei utilizá-lo para ir até o Alasca também”, disse.

Gabriel pretende viajar por mais cinco anos. Ao chegar no estado americano, ele disse que quer arrumar um emprego temporário e comprar um carro ou uma van para seguir viagem.

“Eu precisava recomeçar, decidi tirar férias de um ano. No entanto, continuarei minhas férias por mais cinco anos e depois vejo o que farei”, disse.
Ele passou por todos os países da América do Sul — Foto: Gabriel Dias/ Arquivo pessoal

Idioma e clima

Gabriel disse que não sabe falar o idioma americano e que vai aprender por conta própria, assim como fez para aprender o espanhol quando viajou pela América do Sul. Quando saiu do Brasil, ele não sabia nada sobre outros idiomas e precisou se adaptar.

“Mal sabia o português. Foi muito difícil, mas eu fazia mímicas, traduzia as palavras no celular e, depois de um tempo, comecei a me adaptar ao espanhol. Atualmente, quando alguém fala em espanhol, consigo entender tudo. Sei falar também, mas poucas pessoas me entendem”, ressaltou.

Além disso, ele disse que não tinha roupas adequadas para enfrentar o frio quando chegou no primeiro país depois do Brasil, o Uruguai.

“Com o dinheiro que eu tinha, comprei roupas de frio e uma câmera. Depois de um tempo, a gente se adapta e as coisas começam a fluir. Sei que o frio no Alasca é maior, mas irei me adaptar, só quero chegar lá”, pontuou.

Alimentação

Levando apenas uma mochila e pouco dinheiro, comparado ao tempo de viagem, Gabriel contou que vende fotos dos lugares que ele já passou para conseguir dinheiro para se alimentar.

Segundo o jovem, quando ele viajou pela primeira vez, além das caronas de carro, caminhão, avião e barco, as pessoas o ajudavam com dinheiro.

“Eu não pedia, mas muita gente me ajudava. Comecei a me sentir desconfortável com a situação, então decidi vender as fotos dos lugares por onde passei para conseguir o dinheiro”, contou.

As fotos, segundo Gabriel, são tiradas de uma câmera simples e também do próprio celular.

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